Por Gabriela Perecin
Ao completar 32 anos neste mês, o Órgão de Gestão de Mão de Obra do Trabalho Portuário (OGMO) Paranaguá chega a mais um marco de sua história olhando para o futuro. Em mais de três décadas, a instituição transformou sua forma de atuação e ampliou o olhar sobre quem está no centro das operações: os Trabalhadores Portuários Avulsos (TPAs).
A diretora executiva do OGMO/Paranaguá, Shana Carolina Colaço Vaz Bertol, faz parte de nove anos dessa história. Em conjunto com o Conselho de Diretores e colaboradores, tem apostado em uma gestão moderna e inovadora.
Segundo ela, nos primeiros anos, a atuação era mais concentrada na intermediação da mão de obra e na organização das escalas. Com o passar do tempo, a instituição passou a adotar uma administração mais voltada à eficiência e à qualificação dos profissionais.
“A gente passou a adotar uma cultura de empresa privada, em que temos um produto, que é a mão de obra portuária avulsa, e que a gente precisa atender hoje com qualidade e eficiência os operadores portuários”, explicou.
Valorização dos TPAS
Para a diretora, esse processo também trouxe uma mudança na relação com os trabalhadores. Programas de reconhecimento, capacitação e segurança passaram a fazer parte da estratégia do órgão. Entre as iniciativas estão o TPA Essencial, o TPA Zero Avarias, que premia aqueles que obtêm destaque; e a ginástica laboral, implementada no início dos períodos de trabalho.
Além do Programa BIS – Blitz Integrada de Segurança (que permite identificar e corrigir comportamentos de risco em tempo real); e o Programa Companheiros de Jornada (que atua diretamente na integração dos novos portuários).
“A gente trouxe eles para perto, preparamos, capacitamos e, principalmente, apresentamos para ele a essencialidade da operação portuária”, destacou.
Os resultados já mostram o reflexo dessas mudanças. Ela cita recordes na movimentação de veículos, redução de avarias e uma queda de 43% nos acidentes de trabalho neste primeiro semestre, na comparação com o mesmo período do ano passado.
Mulheres no ambiente portuário
Um dos principais marcos dessa trajetória recente foi o Processo Seletivo Privado nº 001/2024, que promoveu uma renovação histórica da força de trabalho portuária avulsa, após mais de três décadas sem a entrada de novos TPAs no Porto de Paranaguá.
O certame abriu oportunidades para as funções de estivador, arrumador, vigia e conferente e também representou um avanço importante em inclusão. O edital estabeleceu preferência para mulheres em situações de empate, contribuindo para ampliar a presença feminina em atividades tradicionalmente ocupadas por homens. O resultado foi a chegada de dezenas de novas trabalhadoras.
Com a entrada de mulheres nas operações, o OGMO passou a reforçar ações de conscientização sobre respeito e assédio. “Foi um choque para os TPAs. Por mais de 30 anos, muito mais, décadas, eles nunca tiveram ao lado uma mulher trabalhando com eles”, relatou.
Para Shana, a presença feminina na gestão ajuda a identificar demandas que poderiam passar despercebidas. A diretora destaca ainda a importância de olhar para questões como banheiros e maternidade. “Esse olhar você só tem quando há uma mulher gestora”, afirmou.
Uma conquista coletiva
Ao falar sobre o aniversário de 32 anos, a diretora resume o momento do OGMO como resultado de um esforço coletivo envolvendo profissionais, equipe interna, sindicatos e operadores portuários. “Eu acho que a mensagem dos 32 anos é que a gente não comemora um aniversário, a gente comemora uma conquista, fruto de um trabalho em conjunto.”
Na avaliação dela, a continuidade dessa parceria será fundamental para garantir o futuro da mão de obra portuária avulsa. “Eu acredito muito no modelo e que a atuação em conjunto é que vai levar o trabalhador para o futuro.”
Fonte: JB Litoral